Etiquetagem na Origem, que consiste na aplicação de etiquetas antifurto nos produtos durante o seu processo de fabricação ou embalamento, é a técnica mais eficaz e eficiente para proteção de produtos. Além disso, ela pode auxiliar a aumentar os lucros, porque mesmo os produtos mais caros, quando protegidos com as etiquetas, podem ser expostos em locais de maior visibilidade para o consumidor.
Entre as diferentes práticas adotadas para a prevenção de perdas, a etiquetagem na origem apresenta vantagens como reduzir os custos com segurança física, contribuir para a diminuição dos custos operacionais e acabar com a necessidade de confinamento dos itens de maior risco em balcões ou prateleiras, aumentando o potencial das vendas. Esses diferenciais são significativos, uma vez que a última avaliação de perdas no varejo brasileiro mostrou que os gastos com pessoal correspondem a mais de 60% do orçamento de prevenção de perdas, sendo que os investimentos com equipamentos - aluguéis, aquisições e manutenção - representam 31,8%.
Segundo o NEO – Núcleo de Etiquetagem na Origem, as empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de se adotar essa solução, sendo que o NEO conta com cerca de 40 empresas cadastradas. O último levantamento realizado pela entidade junto a varejistas de todo o Brasil, mostra que as perdas com furtos, tanto internos quanto externos, têm se tornado cada vez mais elevadas. Supermercadistas indicam que é possível perder até 30% do faturamento obtido com a venda de alguns produtos.
Entre os itens mais furtados, destacam-se os chicletes (30%); preservativos, loções bronzeadoras e protetores em geral (15%); maquiagem e colas (11%); e whisky e sabonetes líquidos (10%).
Na avaliação do NEO, a adoção da etiquetagem na origem pode provocar uma redução imediata de 20% nos custos operacionais e um aumento de até 30% nas vendas de mercadorias de alto giro e valor.
Casos de Sucesso

Empresas como Taiff, Zara e Fox Filmes apostaram na etiquetagem na origem. A Taiff, líder nacional em equipamentos profissionais para cabeleireiros, investiu nestas soluções para aumentar as vendas de seus produtos nos pontos-de-venda. "Com a etiquetagem na origem, os produtos ficam mais visíveis, aumentando o impulso de compra", explica Thais Papin, diretora executiva do NEO.
Já uma das maiores redes de varejo de roupas, calçados e acessórios do mundo, a Zara, seguiu a tendência mundial e adotou a etiquetagem na origem em sua filial brasileira. Seu objetivo foi reduzir custos, aumentar a eficiência da cadeia de abastecimento têxtil e, ao mesmo tempo, reduzir as perdas por furtos e roubos em suas 12 lojas. "A vantagem para a empresa foi o manuseio das mercadorias nas lojas que se tornou bem mais simples, já que os produtos não precisavam mais ser etiquetados. A etiquetagem na origem também trouxe benefícios até para os clientes da Zara, pois o consumidor passou a experimentar o calçado sem a incômoda presença da etiqueta rígida", destaca Thais.
Por sua vez, a Twentieth Century Fox Home Entertainment foi a primeira distribuidora de filmes no Brasil a adotar a etiquetagem na origem para proteger DVDs em boxes contra furtos no varejo. A iniciativa da empresa foi impedir as pessoas mal intecionadas a identificar qual o item que estava protegido, inibindo a sua ação.
As loções bronzeadoras e protetores em geral estão entre os produtos mais furtados, ocasionando perdas de até 15% sob o faturamento de varejistas, segundo levantamento do NEO - Núcleo de Etiquetagem na Origem. Para diminuir esse prejuízo, a L'Oréal decidiu investir em etiquetas antifurto, desenvolvidas pela Plastrom Sensormatic, especializada em soluções de segurança para o segmento de varejo, tornando uma das empresas do segmento de higiene e limpeza a adotar esse tipo de solução.
As etiquetas adquiridas foram totalmente customizadas para atender às necessidades da L'Oréal. "Diversos testes foram efetuados até chegar à aplicação atual, que está disponível na embalagem do protetor solar Expertise de 120 ml", diz Alexandre Vay, gerente de desenvolvimento industrial da L'Oréal, explicando que no início, os varejistas reclamavam que a embalagem soltava a etiqueta e os furtos continuavam acontecendo.
"A maior dificuldade era encontrar uma alternativa para evitar que as etiquetas dobrassem ou amassassem, porque isso impossibilita a identificação", explica Luciano Bottura, gerente de produtos de Vigilância Eletrônica de Mercadorias da Plastrom Sensormatic. Por alguns meses, a equipe de desenvolvimento da fornecedora analisou o produto e produziu uma solução discreta e prática. "Colocamos o sensor antifurto abaixo da etiqueta, acoplado à própria embalagem, tornando-o menos evidente possível", completa.
Vay enfatiza que com essa solução, os produtos podem ser expostos em massa e sem preocupações. "Começamos os testes dessa aplicação com os protetores solares de 120 ml, que são os mais comercializados, mas pretendemos estendê-la aos demais produtos nos formatos creme, spray e bisnaga, que hoje possuem as etiquetas nas laterais das embalagens". Na Europa, a L'Oréal já utiliza este sistema a mais de oito anos nas marcas de maior valor agregado como Lancôme, Helena Rubinstein, entre outros.
Entre as vantagens obtidas com essa iniciativa, Vay destaca segurança, melhoras na estética, controle maior do estoque e agilidade nos processos de recebimento da mercadoria na loja, estocagem, aplicação de etiquetas e colocação nas prateleiras. "Para esse tipo de serviço, gasta-se até 48 horas. Quando o produto está etiquetado, esse tempo cai para poucas horas", observa ele.
Por outro lado, é importante ressaltar que a L'Oréal somente envia produtos etiquetados na origem para locais onde o lojista possui equipamentos de detecção. "Embora muitos varejistas apontem redução de até 8% nos furtos, outros ainda não acreditam nos benefícios desse tipo de solução e se esquecem de que qualquer 1% de diminuição nas perdas, já é lucro", afirma Vay.
A Plastrom Sensormatic afirma que toda a cadeia de suprimentos pode obter inúmeras vantagens com produtos etiquetados na origem. A mais importante é a redução dos custos operacionais. "Com as mercadorias etiquetadas, os funcionários que fariam este trabalho podem ser direcionados a outras funções como, por exemplo, atendimento aos consumidores", detalha Heloisa Cranchi, gerente de etiquetagem na origem da Plastrom Sensormatic. Além disso, os lucros podem aumentar. "Os produtos ficam mais disponíveis nas gôndolas e não precisam ficar armazenados em balcões ou armários fechados porque já estão seguros", reforça Heloisa. |